Com o intuito de desenvolver parâmetros técnicos de medição da eficiência energética dos edifícios, visando fomentar a conservação de energia elétrica, a Eletrobrás em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançou a “Etiqueta de Eficiência Energética em Edificações”, voltada para edifícios comerciais, de serviços e públicos, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica em edificações (Procel Edifica).
A etiqueta faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e busca reconhecer os projetos que promovem a economia de energia. O sistema é semelhante ao utilizado em eletrodomésticos, no entanto, aplicado em edifícios, permite fazer a distinção e um comparativo do grau de eficiência energética entre um prédio e outro.
Ao ter conhecimento do programa, a Caixa se mostrou interessada em possuir edificações etiquetadas. Para isso, encaminhou a um laboratório credenciado relatório de duas de suas agências, entre elas a agência Jardim das Américas, localizada em Curitiba (PR).
“O laboratório designado pelo Inmetro, que foi o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), recebeu o projeto da Caixa e emitiu a etiqueta”, conta a arquiteta Estefânia Mello, uma das responsáveis pela emissão do Selo Procel Edifica. Em funcionamento desde dezembro de 2008, a agência Jardim das Américas foi o primeiro prédio a receber, no dia 02 de julho deste ano, a etiqueta de eficiência energética no Brasil.
A agência Jardim das Américas, inserida em um padrão mais eficiente, economizou em torno de 24% em energia elétrica nos seis primeiros meses de operação. Na concepção do edifício, a carga instalada foi projetada para 150kW, abrangendo iluminação, ares-condicionados, servidores, computadores, etc.
Entretanto, a demanda utilizada é de apenas 80kW, com um consumo de energia mediano de 11,28kWh/m2, representando aproximadamente 30% na redução no consumo por metro quadrado, em relação a uma agência antiga, cujo consumo médio seria de 16,77kWh/m2.
Com área total de 1.000m2, composta por pavimento térreo e superior, a agência não foi, a princípio, concebida com o intuito de obter a etiqueta do PBE. “O selo foi uma consequência de todas as medidas de conservação de energia que foram implantadas nesta agência, sendo o primeiro prédio público construído no Brasil a obter o selo de eficiência energética”, declara o engenheiro eletricista da Caixa, Fabiano Kiyoshi Mori.
Sistemas e circuitos de iluminação
O foco do programa de etiquetagem na área de instalações elétricas é o sistema de iluminação, no qual é analisada a densidade de potência de iluminação relativa, verificada por meio de medições feitas em cada ambiente.
Na agência recém-inaugurada, a densidade da potência média do sistema de iluminação medida foi de 12,88W/m2. Para isso, além do aproveitamento da luz natural em todos os ambientes, a edificação certificada conta com cerca de 150 luminárias e 300 lâmpadas instaladas.
O sistema de iluminação é composto por luminárias de alto rendimento e refletância, com lâmpadas fluorescentes trifósforo, do tipo T-8 de 32W, além de reatores eletrônicos, que, juntos, resultam em uma temperatura de cor de 4.000K. “As luminárias não ficam ligadas todas no mesmo circuito, até porque não há necessidade de estarem em funcionamento ao mesmo tempo.
Então, são setorizadas em função do layout e da necessidade do ambiente”, esclarece Mori. Os dois pavimentos do prédio - térreo e superior - são atendidos por um quadro de iluminação, que apresenta derivação para o quadro de energia estabilizada, responsável pelo funcionamento de dois nobreaks - um de 30kVA e outro de 5kVA -, que atendem a toda a rede de informática da agência, em casos de falta de energia elétrica.
“Os nobreaks possuem autonomia aproximada de meia hora, tempo suficiente para encerrar uma operação ou algum trabalho que já esteja em andamento”, afirma o engenheiro. É possível ter uma ideia de como estão distribuídos os circuitos de iluminação pelas instalações do andar superior, onde do quadro de distribuição geral (QDG), a fiação deriva para o quadro de distribuição de iluminação (QDIL).
Este quadro, por sua vez, abriga os barramentos dos dez circuitos de iluminação, os quais contam com um disjuntor cada um. O sistema de iluminação não é acionado diretamente por disjuntores, mas por botoeiras e contatoras presentes na tampa do quadro, a fim de que não seja necessária a abertura deste para acionar a iluminação.
A partir das botoeiras é comandada a iluminação de cada setor do salão, que aciona certo grupo de luminárias ambiente. Dos disjuntores saem os condutores elétricos, os quais seguem para as contatoras, que partem para um número específico de luminárias, dependendo de como estiver configurado o circuito de cada ambiente.
Nos salões de atendimento ao público e nas áreas de acesso restrito dos funcionários e próximas às janelas, os circuitos de iluminação permanecem desligados na maior parte do tempo, dando lugar à luz natural ao longo do dia. “Este circuito só é ligado quando está um dia chuvoso e escuro, ou em casos em que não se tem uma iluminação natural suficiente para iluminar o ambiente adequadamente”, exemplifica Mori.
Ainda no pavimento superior foi instalado um timmer que desativa automaticamente os circuitos dos salões de atendimento quando não houver a presença da pessoa no ambiente. “O timmer desliga após as 18 horas, ou seja, quando não tem mais ninguém na agência”, afirma.
De acordo com engenheiro, com o objetivo de facilitar o serviço nas instalações, a rede elétrica interna dos ambientes abertos foi executada a partir de malha de piso flexível, para que seja possível mudar o layout do ambiente, caso seja preciso. “Com a malha flexível, não é necessário quebrar o piso ou fazer uma nova extensão, porque já ficam previstos alguns pontos para que a mudança possa ser feita com maior facilidade”, aponta.
Critérios para a conquista do Selo Procel Edifica
Analisados por laboratórios credenciados, os níveis de eficiência variam de A (mais eficiente) a E (menos eficiente). Para compor a pontuação, são levados em conta o sistema de condicionamento de ar (com 40% dos pontos), o sistema de iluminação (com 30%) e o desempenho térmico da envoltória (também responsável por 30% do total).
Cada um desses sistemas possui um peso ponderado, que, aplicado em uma equação, resulta em valores de 1 a 5. A partir desses três sistemas, a agência Jardim das Américas obteve nota 4, sendo classificada no nível “B”.
De acordo com o engenheiro eletricista da Caixa, Fabiano Kiyoshi Mori, o regulamento prevê que, caso o imóvel disponha de algum outro sistema eficiente “adicional”, pode vir a colaborar para a elevação da pontuação. “No caso desta agência, ela teve o recurso de reutilização de água.
Com esta bonificação, foi possível alcançar mais um ponto, que, somado com os demais itens que foram avaliados separadamente - resultando em cinco pontos -, possibilitou que o prédio chegasse ao nível “A”, que é o nível de eficiência máxima”, detalha. |