Instalações elétricas modernizadas. Uso racional e eficiente de energia. Luz natural para o conceito de sustentabilidade. Foi graças a estas e a outras medidas de eficientização energética que a empresa do setor industrial, Móveis São Carlos Ltda. ganhou o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia Edição 2007, realizado pelas entidades Eletrobrás/Procel e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O objetivo do Prêmio foi estimular os segmentos da sociedade a implementarem ações que efetivamente reduzam o consumo de energia elétrica. Como critério de avaliação para a escolha da empresa vencedora, foram levadas em consideração as ações ou medidas implantadas e os resultados obtidos a partir da economia de energia, bem como o potencial de difusão e aplicabilidade em outras atividades, áreas ou empresas.
Premiada em 1º lugar na categoria Micro, Pequenas e Médias Empresas, a Móveis São Carlos, localizada na cidade de Afogados da Ingazeira, em Pernambuco, fabrica mesas, cadeiras e outros utensílios utilizando o Medium-density fiberboard (MDF), material produzido através da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e outros aditivos como matéria-prima.
Com o objetivo de adotar ações eficientes, a empresa fundada em 1986, modernizou as instalações elétricas, aplicando bitolas maiores para circuitos já existentes; inseriu novos circuitos; balanceou os circuitos e os quadros de distribuição; otimizou o layout da área de produção; implantou sistema para acionamento das máquinas em escalas e dos motores por chave estrela-triângulo, e utilizou inversores para diminuir o uso de redutores de velocidade mecânica.
Atualmente conta com uma subestação e dois transformadores em seu espaço fabril. Alguns dos principais desafios enfrentados pelos engenheiros para eficientizar toda a estação foi redimensionar o cabeamento já existente nas instalações, realizar a medição computadorizada de energia e implantar chaves magnéticas de segurança na entrada dos transformadores para evitar riscos de queima de equipamentos, por meio de controle automático - medidas obrigatórias estipuladas pela Celpe – Grupo Neoenergia.
Dentre outros fatores que dificultaram a execução do projeto, podemos citar também a ausência de uma subestação abrigada, sendo que o transformador era instalado no meio da rua. Além disso, não existiam cabeamentos nem bancos capacitores adequados, e era usada a energia elétrica convencional, sem que houvesse um plano racional de consumo de energia.
A partir daí, a empresa passou a adotar o critério de energia por demanda. Isto quer dizer que a empresa compra a energia equivalente ao seu consumo previsto dentro de um determinado prazo. Este tipo de consumo é chamado de “consumo ativo na ponta ou consumo ativo fora de ponta”, que é a energia consumida efetivamente.
A Companhia fornecedora é a Celpe, que vende energia em alta tensão à fábrica, para que a subestação transforme em baixas tensões. De acordo com o diretor da empresa Móveis São Carlos, Carlos Antônio Barros Brito, este método ainda não havia sido adotado pelo fato de a empresa desconhecer os benefícios obtidos a partir do uso deste tipo de energia. A partir deste convênio realizado, a empresa passou a trabalhar com a chamada “Energia Verde”, que se baseia na utilização de energia somente até às 17h30.
Após este horário, toda a energia consumida é paga a parte pela fábrica. Para reduzir o consumo de energia, foram instalados três bancos de capacitores automatizados, que foram somados a outros três manuais que já existiam, totalizando seis equipamentos no geral. O banco de capacitor atua como um “nobreak”, ou melhor, como uma “bateria”, acumulando energia para que, em casos de consumo de energia excessivos e de forma repentina, não haja a queda da rede.
Segundo Brito, devido aos bancos de capacitores automáticos, houve uma redução significativa na conta de energia elétrica da empresa, pois, uma vez automatizados, são acionados apenas no momento necessário. Esse processo de controle digital também possibilitou o aumento na escala de produção, e conseqüentemente, no faturamento das vendas. Para se ter uma idéia, em uma residência normal no Estado de Pernambuco, o consumidor paga cerca de 0,70 centavos o KW/h.
Com a implantação das novas máquinas, a empresa passou a pagar 0,20 centavos, ou seja, um terço do valor anterior, ou ainda, de uma casa comum. Uma outra melhoria que está sendo implantada na fábrica é o novo sistema de coletor de pó, que realiza a sucção dos resíduos, quando as madeiras MDF são cortadas.
Atualmente a Móveis São Carlos economiza grande parte da energia em relação a alguns anos atrás, apesar de hoje usar uma demanda muito maior em suas operações. “Podemos dizer que se a empresa estivesse usando a energia hoje do jeito em que usava a três ou quatro anos atrás, a conta de energia seria impagável”, explica Brito. O cabeamento que faz a distribuição para as máquinas, localizado na subestação, também foi alterado, pois estava subdimensionado.
Como melhoria, as bitolas dos cabos foram aumentadas; foram adquiridos novos ramais, com mais cabeamento e maior capacidade e, a partir daí, as cargas foram subdivididas nas novas redes.
Outra medida adotada para evitar o desperdício de energia elétrica é a utilização da luz natural até às 17h00. Não são utilizadas lâmpadas ao longo do dia, pois existe uma parte do telhado que é composta inteiramente por telhas translúcidas, o que permite a entrada da luz solar nos ambientes.
De acordo com o diretor da empresa, quase todas as máquinas são automatizadas, ou seja, possuem equipamentos computadorizados. “As máquinas já vêm com quadros eletromagnéticos, auto-proteção, transformadores e capacitores adequados”, afirma.
Ainda segundo Brito, é muito importante que hajam bancos de capacitores na subestação, para que não ocorra nenhum tipo de retorno negativo da energia que interfira nas operações. Por exemplo, quando se tem uma carga instalada que não é utilizada, pode ocorrer um certo tipo de reflexo, que resulta em uma energia de retorno e que acaba gerando um gasto desnecessário, tanto para a empresa quanto para a concessionária.
Para garantir a segurança dos operários, em todo o espaço fabril foram instalados aterramentos em terreno com barro argiloso. De acordo com Brito, este tipo de solo proporciona um ambiente úmido, e é o ideal para instalações elétricas. “Hoje a gente tem um aterramento totalmente profissionalizado, tecnicamente perto do perfeito, pois com certeza ainda deve haver uma necessidade de alguma melhoria, mas no geral, podemos dizer que possuímos um super aterramento”, conclui. |